Claroescuro

by Pedro Sá Moraes

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about

Hailing from Rio de Janeiro, Pedro Moraes started his professional music career outside of Brazil quite unexpectedly. A young poet, singer and songwriter, Pedro traveled to Mexico in 2001 because of the sudden success of two of his compositions in that country. Magos Herrera, in her debut album Orquídeas Sussurrantes, had recorded a Spanish version of "Chá de Sumiço" ("Té del Olvido") and the original lyrics for "Xote de Manhã." Undecided whether to pursue his psychology degree or dedicate his efforts to music, it was then and there that Pedro Moraes first went on stage professionally. Since then, Pedro has also performed in Rio de Janeiro, Barcelona, London, Berlin and New York and now in 2010 will appear in Texas as a performer in Austin's prestigious SXSW (South by Southwest) music festival.

Pedro is known for elaborate melodies and unexpected lyrics. He bridges traditional and modern trends in his compositions, ranging from northeastern roots to samba and beyond. In this album, ClaroEscuro, Pedro explores his musical universe from xote to tango and everything inbetween. The arrangements add less popular music instruments, such as the oboe, to Brazilian standards such as the viola. The musicians in ClaroEscuro are also very diverse and include Pedro Moraes himself (guitars), José Izquierdo (percussion), Ricardo Sá Reston (bass), Franklin da Flauta (flutes), Gabriel Geszli (piano), Thiago Amud (acoustic guitar), Thiago Neves (oboe), Euler Santos (bassoon) and many others.

With remarkable ease, Pedro switches from a xote, as in the opener "Xote de Manhã," to a bouncy samba in "Samblefe" or the Cuban-flavored samba mix in "Marcela." Of course, nothing is quite black or white, light or dark, as the album title suggests. Even though we hear a xote, there is also a complex harmony reminiscent of the earlier works of Milton Nascimento's Clube da Esquina style. Then we have "O Sonho de Antonieta," which Pedro explains as a melancholic toada that was transformed by Marcelo Caldi's arrangement and accordion into a tribute to Argentinean master Astor Piazzola. The result is intriguing to say the least.

Pedro's music is never boring. He surprises the listener at every minute. From forró in "Receita de Canção," he jumps to a most soothing piano serenade in "Fina Flor" and then back to a Bossa Nova in "Samba de Quarta-Feira," with a lovely guitar accompaniment by Thiago Amud in tribute to João Gilberto.

Nothing probably defines Pedro Moraes' ClaroEscuro more than his own words in the liner notes: "Contrition and carnival. Extasy and absence. Life beyond halfways." ClaroEscuro goes beyond the comfortable limits of Brazilian music and does that well. It's a creative album full or surprises.

- Egidio Leitão, CD Review at MBAZ.ORG, February 2010

credits

released May 9, 2010

Produtor musical e executivo / musical and executive production: pedro moraes
Idealização artística / artistic idealization: pedro moraes, armando lôbo & thiago amud
Preparação vocal / vocal coaching: glória calvente :: www.gloriacalvente.com.br
Gravações / recordings: estúdio saci (fernando silva, 2007 – 2010);
Gravações adicionais / additional recordings : casa do mato (ronaldo lima, 2009); fábrica de chocolate (damien seth, 2010)
Mixagem / mixing (3, 5, 8, 10, 11): fernando silva – estúdio saci
Mixagem / mixing (1, 2, 4, 6, 7, 9, 12, 13, 14): eber pinheiro
Concepção visual / visual concept: cezar altai
Fotografia / photo: larissa lax e adriana branco
Design: celão marques

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about

Pedro Sá Moraes Rio De Janeiro, Brazil

"One of the ten artists you should have known in 2012" NPR

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Track Name: Xote de Manhã
dia amanheceu, morrem estrelas
que virá, destino meu?
tenho uma janela e sobre o manto breu
a imensidão aquarela
homens cruzam o chão, aonde vão?
quem sabe é Deus

é uma estrada velha e torta, a vida
e a bem amada saberá me dar a mão
na despedida e chegada a voz, o verso, o grão

não desejo sorte, penso que não me importe
se o alazão do tempo já nos leva à morte
é uma certeza, e também libertação
a fronteira última jamais me desespera
em toda beleza, uma armadilha
e o grilhão das miudezas desvencilha
na visão de pedra e corte
no meu peito eu trago um norte
a manhã já vem chegada, salve são sebastião!
Track Name: Marcela
Marcela

Ya te cogeré domada, ya te veré bien sujeta,
cuando como ahora huyes,
hacia mi ternura vengas,
rumbera buena;
– Nicolás Guillén

o sangue me ferveu na veia inda agora
ó minha senhora, não tens sentimento
o coração quase pulou boca afora
fascina e apavora o teu movimento
arriba a saia e mal não pisa o chão – perdição...

marcela! chegou pra rodar no meu terreiro
a cobra sinhá, marcela
espuma do mar de fevereiro
a saia gira amarela
é jogo de azar, é feiticeira
virá da minha costela
requebra sinhá, so dá bandeira
um brilho no olhar

ah, por meu santo amaro, esse amor tão raro
que não tem mais fim
seu colo de princesa, essa chama acesa
quero ter pra mim -- marcela!

(marcela! na palma da mão, no candongueiro
no prato faca e panela
no meu paladar, o seu tempero
de cravo, dendê, canela
se o vento apagar o candeeiro
agarro as cadeiras dela
no jogo do laço, cavaleiro
no lombo dessa gazela!)
Track Name: Receita de Canção
receita de canção

"Nisto, que conto ao senhor, se vê o sertão do mundo. Que Deus existe, sim, devagarinho, depressa. Ele existe -- mas quase só por intermédio da ação das pessoas: de bons e maus. Coisas imensas no mundo. O grande-sertão é a forte arma. Deus é um gatilho?"
– Guimarães Rosa


escolha um pedaço do dia,
uma canção de alma verde, serena
e o preço que é pago por dentro, essa ambição
beba à boca pequena
a mais bela mulher da serra, essa mulher
traz na fronte marcado um dia de sol
e a alma verde, serena... e a alma verde, serena...
escolha da lira cansada o seu melhor, cada verso é novena
daquele que não deve nada, tenha dó
todo barco se rema
acendo uma vela pra lhe fazer sofrer, que, meu filho
risada é muito bom, mas a glória é da pena
toda glória é da pena

e assim marque o passo da fuga, tua sorte abençoe a jurema
em cima do lombo da nota é muito só,
mas cheirim de alfazema
alarde da casa de moça no redor
pra deitar de sapato no lençol
que essa vida é pequena, mas é só
a morena e a zabumba que forró
Track Name: Carnaval em Agosto
carnaval em agosto

"Irmão das coisas fugidias
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento"
- Cecília Meireles


triste folião, à procura de um cordão que não existe
arrastando vãs fantasias, folia sem multidão
nunca desiste do quinhão de alegria
que não encontra na cidade
mas lhe invade a voz, o pé, a mão e o coração
gira e baila e canta e beija e ama sozinho
vira também passarinho e se põe a voar, voar
sabe gozar seu destino,
como fosse um menino rodando peão
ei-lo pisando noutro chão
sem relógio ou profissão (sem país e sem razão)
eis-nos rindo desse triste folião
(eis-nos rindo por um triz)
Track Name: Samba da Quarta-feira
samba da quarta-feira

"Quem me dera ser como o rapaz desvairado!"
– Manuel Bandeira

eu resolvi fazer um samba pra tocar na quarta-feira (4x)

depois de amarrar o confete nas cordas do trio
depois da saideira
depois de bancar a vedete no baile das mil e uma noites
bandeira amarrada no colo febril
como fosse um jogo do brasil
o herói das cinzas nasce uma semana em fevereiro
segue ligeiro a marcação
o asfalto é quente e a alma faceira paira sobre o chão
e a gente incinerando a nossa dor nessa fogueira e
nesse samba pra tocar na quarta-feira

eu resolvi fazer um samba pra tocar na quarta-feira (4x)

na apuração minha escola perdeu o carnaval
mas ainda é estação primeira
tenho bolhas e calos nos pés
o pandeiro me escorre das mãos
mas inda resta tempo, e a vida espera a saideira
é o que se espera, que de maneira a seu critério
o tempo companheiro
não vá me abreviar a brincadeira

eu resolvi fazer um samba pra tocar na quarta-feira (4x)
Track Name: Pedro Moraes and Alcione - Zingareio
Zingareio

Gosto de andar nos desertos imensos
pelas sarças sagradas, vendo as tardes
cheias de cordeiros e de mulheres morenas
que vão buscar água nas cisternas distantes
onde moram as estrelas do ocaso.
 Jorge de Lima

No jogo das marés, aô
Na barra das manhãs, aô
No dorso do convés, aô
No ventre dos vagões, aô

Zingareio, aô
Zingareio, aô
Zingareio, aô

Eu quero, sim,
me perder na amplidão sem fim
e nos campos abertos
reconhecer mais um grão de mim
e colher no regresso
as mãos do amor que mereço
(eu quero!)

Eu quero, sim,
nas cidades em combustão
adentrar como um filho
como um palhaço,
como um sultão
Nas veredas que trilho, então
cada um será meu irmão
Track Name: Canção da Despedida
Canção da despedida

"Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso."
- Pablo Neruda

calo, não há mais nada pra ser dito
lá fora o dia tão bonito, e ainda tanto por fazer, ai
dentro, a fibra tensa, a fé cansada
penso e falo. é o fim de toda desavença
quando já não se espera nada

vai teu conto de fadas, pela cidade imensa
os sonhos ficaram pra trás,
alguns se fizeram canção
eu canto pela redenção quando amar não compensa

volto aos meus camaradas, numa saudade aflita
lembranças evolam no ar,
mas vivo por uma missão
e bebo pra comemorar o que deus me permita
Track Name: Incomunicável
incomunicável

"os soluços da noite
procuraram a garganta das coisas
e falaram"
- Jorge de Lima

eu vim de longe, eu vim do mar
posso voar, faço chover
eu fui visconde, eu não sei ler
em vim de longe, eu vim cantar
um sabiá-batucajé
canto pro´mode não morrer
(canto pro´mode não morrer!)

incomunicável desde o início, essa fruta só caroço
esse puta precipício, esse eternamente esboço
esse lastro vitalício, essa carne de pescoço
tantos sonhos, tantos vícios
já tão velhos, e eu tão moço
os ofereço em sacrifício, meu futuro meus destroços
meus esforços, meu ofício
por um verso em alvoroço que do fogo do suplício
as janelas do infinito escancarem par em par
Track Name: Fina Flor
fina flor

"A la vora de la mar
n'hi ha una donzella, hi ha una donzella,
que en brodava un mocador
que és per la reina, que és per la reina."
- Canção folclórica catalã / Catalan folk song

ah, fina flor! tua sina em minha pele
ah, fina flor! com teus olhos, dois planetas
pouca história pra contar
vai florir um sonho estranho
vais sorrir quase discrente, fina flor
acredite no futuro: tantas pétalas perdidas —
novas vidas em promessa, fina flor!
vão brotar por entre os muros
vão nascer das rachaduras...

mas, fina flor! quem te fez tão inconstante
ah, fina flor! na ciranda das sementes
nos teus olhos inocentes
fina flor, mulher menina
minha pele em tua sina
fina flor, o mal-me-quer.
Track Name: O Sonho de Antonieta
O sonho de antonieta

"Vestida con mantos negros
piensa que el mundo es chiquito
y el corazón es inmenso"
– Federico Garcia Lorca

antonieta nasceu a 29 de abril
o sonho de antonieta era viver no passado
era ganhar de presente um sonho vão, acordado
antonieta de abril, se lembra dos nossos dias?
a porta aberta de frio, antonieta de abril...

qual sete palmos de terra, hoje a saudade no peito
amor, reza por quem erra
por que parti desse jeito?
porque trago no meu corpo as marcas do amor perfeito
antonieta de abril, se lembra dos nossos dias?
nosso abandono macio, antonieta de abril.....

agora canto em silêncio, nesse lamento vazio
a paz, por vezes a guerra
era uma beira de rio
era um telheiro de hortênsia, estrelas pra mais de mil
antonieta de abril, distantes vão nossos dias
mais um outono de frio, antonieta de abril...
Track Name: Samblefe
samblefe

"“Amor” – eu disse – e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim"
- Carlos Drummond de Andrade

não vá pensar mulher, que eu sofro por lhe ver
ainda não nasceu, nem vai nascer, se deus quiser
quem tenha tal poder, e que dirá você
nem mesmo sei quem é, nem mesmo sei dizer
porquê um belo dia, achei que o negócio me valia
trocar o meu reinado de euforia
por um sonho roubado na sua companhia...

nada de mais mulher, tente compreender
eu precisava de um motivo para um samba
quando ele quer nascer, me aparece você
e é quase obrigação brotar do coração
a flor melancolia, e eu, que vivia tão sozinho
os sonhos espalhados no caminho viraram melodia,
o amor é um moinho de som e fantasia
mas vê: que ironia! às vezes me acontece ser sincero
não posso no meu samba fingir que não lhe quero
Track Name: Pedro Moraes and André Rio - Coroa e Cara
Coroa e Cara

"Aquele rio
saltou alegre em alguma parte?
Foi canção ou fonte
em alguma parte?
Por que então seus olhos
vinham pintados de azul
nos mapas?"
- João Cabral de Melo Neto

Uma cidade eu vejo da minha janela
E quanta saudade pressinto nesse horizonte
Cruzada a ponte são vários dias
Nas rodovias para revê-la

E o que seria se do outro lado chegasse
Um novo impasse, a mesma velha agonia
Eu sentiria a mesma saudade
Pela cidade que aqui deixasse

Rio Capibaribe, vive no coração
Rio da Guanabara, Coroa e Cara do meu cordão

Mas haverá um dia, será Fevereiro
Como eu espero, não demorasse mais tanto
Em que a ciência e a graça dos santos
reunirão num imenso terreiro

Copacabana, São Pedro, Casa Amarela
Uma janela cruzando o tempo e o espaço
Lapa, Retiro, Mangueira, Santana
Num grande abraço de uma semana

Rio Capibaribe, vive no coração
Rio da Guanabara, coroa e cara do meu cordão

O mamulengo a boneca feita de cera
Pelas ladeiras caindo soltos no passo
A bateria, nervos de aço
deixa o cansaço pra quarta-feira

Desde menino, eu sempre tive esperança
Sofro distâncias e tantos maus soberanos
mas o destino do ser humano
é dar as mãos em uma só dança

Rio Capibaribe, vive no coração
Rio da Guanabara, coroa e cara do meu cordão

(interlúdio parte A)

Rio Capibaribe, vive no coração
Rio da Guanabara, como sonhara, reunião!